segunda-feira, 8 de abril de 2013

Empreendimento Fábrica do Inglês à venda.Pedida a intervenção do Governo.



Nº Venda: 1120.2013.23
Ano Civil: 2013
Preço Base de Venda: 
€ 1.898.820,00
Estado da Venda: 
Em Curso
Serviço de Finanças: 
Silves
Modalidade: 
Leilão Electrónico 
Características:
Prédio urbano, sito na Rua Gregório Mascarenhas, Freguesia e Concelho de Silves, destinado a Serviços, composto por onze divisões, denominado Fábrica do Inglês, inscrito na matriz sob o artigo 8569, com a área total do terreno de 5400 m2, área de implantação de 4130,8 m2, área bruta privativa de 3703,25 m2, área bruta de construção de 4795,45 m2 e área bruta dependente de 1092,2 m2, registado na Conservatória do Registo Predial de Silves sob o nº 4595/19950306.

Nome dos Executados: FABRICA DO INGLES GESTAO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS E TURISTICOS SA 
Fiel Depositário: FABRICA DO INGLES GESTAO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS E TURISTICOS SA 
Mediador: 
Local, prazo e horas para examinar o bem: 2013-05-03 às 11:00 a 2013-06-04 às 16:00 
Data/hora limites para aceitaçao das propostas: 2013-06-05 às 11:00
Data/hora e local para abertura das propostas: SILVES, 2013-06-05 às 11:00



Excelentíssimo Senhor Primeiro-Ministro

Assunto: pedido de intervenção urgente, imediata e inadiável para a salvação do Museu da Cortiça e  a sua devolução aos Silvenses.
Excelência,
Pretendemos com esta carta, alertar Vossa Excelência para uma situação que se arrasta já algum tempo, relativa a um dos mais emblemáticos patrimónios histórico - culturais da cidade de Silves, na medida em que se prespetiva um desfecho trágico.
O Museu da Cortiça da Fabrica do Inglês foi inaugurado em 1999, após a recuperação e transformação da centenária fábrica Aven, Sons & Barris num parque de cultura, animação e lazer.
Em 2001 o Museu da Cortiça foi distinguido com o prémio Luigi Michelett, como o melhor museu industrial da Europa, recebendo nesse ano mais de 100 mil visitantes.
O espaço museológico integra no seu espólio maquinas corticeiras para transformação da cortiça únicas e um arquivo documental que remota ao século XIX  e é considerado um dos mais importantes do mundo.
O Museu da Cortiça é uma justa homenagem a uma cidade que foi um dos maiores centros corticeiros de Portugal e contribui para reforço da identidade coletiva e para a perpetuação da memória de toda a comunidade.
A ocupação muçulmana e a indústria corticeira são os períodos de maior prosperidade da cidade de Silves, referencias para todos os silvenses e representam uma fonte inesgotável de orgulho, que urge preservar.
Entre o património e a comunidade estabelece-se uma relação muito forte imbuída de sentimentos e valores, onde passado, presente e futuro permitem a construção de uma identidade que deve ser respeitada.
Encerrado e deixado ao abandono há quatro anos o Museu da Cortiça irá no próximo mês de Junho a hasta pública, de acordo com o anúncio no site da Autoridade Fiscal e Aduaneira. Alerto assim, Vossa Excelência para o facto de no interior do Museu permanecerem inúmeras peças, máquinas únicas no mundo e outros equipamentos que remontam ao período em que Silves era a capital nacional da indústria corticeira, que a concretizar-se a venda, correm o risco daí serem retiradas e perdidas.
Estamos por isso na eminência de perder um património único na região, a memória de uma comunidade, que no passado lutou pela sua dignidade e liberdade e que hoje se pode ver privada de um dos maiores símbolos da sua história.
A história é o que dá vida à memória.
A memória constitui um fator de identificação humana.
Um povo sem memória e sem história é um povo sem identidade.
Ao Estado se reconhece a tarefa de preservar e valorizar o Património cultural de um povo.
O executivo permanente da autarquia, eleito para defender os interesses da população, têm deixado arrastar todo este processo, tentando passar a imagem, de quem nada tem a ver com a situação, quando todos nós Silvenses, sabemos que não é verdade.
Encontrar soluções, requer vontade, empenho, dedicação, e não desinteresse passividade, displicência.
Viver a sua terra com orgulho do seu passado é porventura algo inatingível para quem não reconhece nos atos a grandeza que o rodeia.
Porque estamos fartos de esperar.
Porque nos orgulhamos da nossa história, das nossas memórias, da nossa identidade.
Porque os nossos avós, pais, parentes ou simplesmente amigos, lutaram por esta cidade.
Porque pelo seu trabalho, luta e dedicação merecem que a sua memória será preservada.
Porque um Museu é a história de pessoas, famílias e comunidades.
Porque é tempo de agir.
 Vimos por este meio solicitar a intervenção imediata de Vossa Excelência no sentido de encontrar uma solução que defenda os interesses de todos os Silvenses e que,  de uma vez por todas afastando  o espectro do seu desaparecimento, permita a sua reabertura e a sua devolução à Cidade e ao Concelho.
Na expectativa das suas preciosas notícias, tendentes a assegurar a preservação da memória de uma comunidade, apresento a Vossa Excelência os meus melhores cumprimentos.
Atenciosamente
Silves, 05 de Abril de 2013.


Fernando Serpa Vereador não Permanente na Câmara Municipal de Silves.


Com conhecimento aos Partidos Políticos com assento na Assembleia da República e à Exmª. Senhor Directora Regional da Cultura.


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