quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Declaração da Presidente Isabel Soares em sua defesa no Processo Viga D´Ouro, prestada ontem.

Para conhecimento de todos.

"Depoimento de Abertura - prestado por Isabel Soares
1. Nos últimos dias têm surgido em vários órgãos de comunicação social notícias que dão conta de ter sido acusada de Abuso de Poder.
2. É verdade. No passado dia 17 de Outubro de 2011 fui notificada de uma Acusação produzida pelo Ministério Público de Silves na qual sou acusada de Abuso de Poder.

Permitam-me que vos dê conta do que está em causa:

3. Em Janeiro e Junho de 2006, foram recebidas neste Município duas Cartas provenientes da Direcção Distrital de Finanças de Faro, nas quais se solicitavam o extracto de conta corrente da VIGAD'OURO, bem como cópia das facturas/recibos e respectivos meios de pagamento e ainda datas de inicio e conclusão das obras.
4. Até àquele momento apenas sabia que a VIGA D´OURO era uma empresa que prestava serviços ao Município, entre tantas outras, já que o pelouro das obras de saneamento básico estava, por deliberação da Câmara, delegado num Vereador.
5. Na sequência das cartas das Finanças pedi aos serviços que elaborassem as respostas, tendo, nesse momento, recebido informação de que os respectivos processos não estavam documentados.
6. Perante a verificação dessas irregularidades, dei instruções expressas no sentido de ser imediatamente aberto um inquérito com vista ao total esclarecimento da situação.
7. Precisamente porque pretendi que o inquérito fosse independente, determinei que o mesmo fosse conduzido por uma Técnica Superior pertencente à Câmara Municipal de Tavira e, portanto, absolutamente externa à Câmara de Silves.
8. O inquérito foi exaustivo, chegando à conclusão da existência de graves irregularidades no tocante à atribuição de trabalhos à empresa VIGA D`OURO, irregularidades essas que se prendiam com a atribuição por ajuste directo de obras que, atento o seu montante, deveriam ter sido objecto de Concurso Público.
9. O procedimento adoptado consistia no fraccionamento dos trabalhos, para se construir a aparência de que não seria necessário o procedimento concursal. A par destas irregularidades, foram ainda levantadas suspeitas quer no tocante à efectiva realização de certas obras, quer, noutros casos, à justificação económica da facturação emitida.
10. Perante a gravidade dos factos evidenciados nas conclusões do inquérito, decidi o seu imediato envio ao Ministério Público, à Inspecção-Geral de Finanças, IGAL e Tribunal de Contas.
11. Permitam-me pois que sublinhe que foi por minha determinação que o processo foi enviado ao Ministério Público, ou seja, foi o próprio Município de Silves quem deu origem ao presente processo.
12. Quero também deixar bem claro que a Acusação que me é feita pelo Ministério Público deriva, unicamente, de ter a minha assinatura aposta nos documentos de autorização de pagamento. Esclareça-se, que o simples facto de ter sido autorizado o pagamento, não significa a realização imediata do efectivo pagamento. Tal, foi o que aconteceu no presente caso, em que não obstante autorizado o pagamento, o Município de Silves não veio a proceder ao efectivo pagamento à VIGAD'OURO, de qualquer valor.
13. Que fique bem claro que não sou acusada de ter favorecido alguém, de ter beneficiado um cêntimo que seja, mas apenas e tão só de ter assinado os documentos de autorização de pagamento, o que aliás sempre assumi abertamente, quer no inquérito interno, quer mais tarde no próprio processo junto do Ministério Público.
14. Do que sou acusada é de ter aposto a minha assinatura. E é verdade. Assinei.
15. Mas deixem que vos diga muito claramente que, nem no Município do Corvo, o Presidente da Câmara pode ter a pretensão de conseguir sindicar a regularidade formal e substancial de todos os actos praticados por cada um dos funcionários da Câmara nos processos que são instruídos pelos serviços e que obrigam a assinatura do Presidente da Câmara.
16. Um Presidente da Câmara não tem tal possibilidade, por falta de tempo, por falta de conhecimentos técnicos, por ter confiança nos seus serviços e por já ter o processo sido analisado e aprovado pelos Vereadores dos Pelouros competentes.
17. Só por demagogia ou chicana política se pode achar que é possível que um Presidente de Câmara audite a regularidade material dos procedimentos. É assim em matéria de autarquias, como é assim em qualquer outra actividade. O que seria de um presidente de uma empresa se não tivesse confiança nos seus serviços e não assinasse a documentação que já tenha a aprovação do Director da Área respectiva.
18. Este é, meus Senhores, o crime de que sou acusada.

Por último quero ainda dizer o seguinte:

19. É meu entendimento, inteiramente corroborado pelo Advogados da Câmara, que a investigação levada a cabo pelo Ministério Público não foi tão longe quanto devia, ficando-se por questões de índole formal, não investigando a fundo se existiram favorecimentos pessoais e quanto lucraram em prejuízo do Município de Silves os autores desses favorecimentos.
20. É por isso intenção do Município de Silves e nesse sentido já instrui os Advogados, para solicitar uma intervenção hierárquica junto do Ministério Público no sentido de ser aprofundada a investigação, serem extraídas todas as consequências e apuradas todas as responsabilidades, para que o Município de Silves possa ser ressarcido.

Estou à vossa inteira disposição para responder às questões que me queiram colocar. Tomei a liberdade de pedir ao Advogado do Município que aqui estivesse para vos prestar esclarecimentos de índole jurídica que, como compreenderão, não tenho conhecimentos técnicos para o fazer.»

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Câmara de Silves, na mira da banca diz o Correio da Manhã de hoje.

Clicar para ter acesso á notícia.

Viga D´ Ouro - O que acontecerá agora ás condenações que aplicaram aos Funcionários em Proc. disciplinar?

Permita-se-me que retenha algumas notas que considero cruciais na análise deste processo.
Desde logo, o facto de terem sido instaurados quatro processos disciplinares a Funcionários da Autarquia, que foram condenados sempre com quatro votos a favor, uma abstenção e dois votos contra da Vereação Socialista, meu e da Drª. Lisete Romão.
Estávamos certos ao defender intransigentemente a Dignidade desses visados, assumindo na altura o que considerávamos errado.
O tempo deu-nos razão.
Infelizmente, o desgaste pessoal dos visados e os danos irreparáveis na sua imagem, serão seus compagnons de route de toda uma vida.
Por tudo aquilo que já é do conhecimento público, as responsabilidades apontam na direcção dos detentores do poder político.
Nenhum funcionário foi constituído Arguido e acusado.
Nenhum foi merecedor de censura pelo garante da legalidade que é o Ministério Público.
O que, não deixa de ser significativo do ponto de vista político, se se tiver a humildade para o reconhecer.
A este propósito, importa questionar o que irá agora acontecer ás condenações a que os Funcionários municipais foram alvo em sede de procedimento disciplinar e que no presente não encontraram eco, nem acolhimento por parte do Tribunal?
Quem anda nisto algum tempo, sabe que se não foram constituídos Arguidos, passaram a Testemunhas da Acusação contra quem foi acusado.
Inverteram-se os papéis.
Ora se assim é…
Em segundo lugar, como poderão ler no comunicado que se segue, a Comissão Camarária, constituída por deliberação de 11-04-2007, para apuramento de prejuízos do Município, entendeu ter havido “uma valorização do custo das obras que indicia uma sobrevalorização em cerca de 500%”.
Aceitando-se como válida tal conclusão, somos imediatamente confrontados com o facto de ter havido prejuízos para a Autarquia.
Defendo assim, que a mesma deva intervir judicialmente. Em todo e qualquer processo onde este assunto e suas ramificações sejam debatidos.
Daí a Vereação Socialista ter solicitado ao Sr. Vice-Presidente, Dr. Rogério Pinto que, procedesse em tempo oportuno “ a todas as medidas e/ou diligências judiciais e extra-judiciais que julgar pertinentes, na defesa do interesse público do Município de Silves”.
Finalmente, assiste aos Arguidos a presunção da inocência até transito em julgado, entenda-se decisão definitiva. Tanto mais que irão seguramente requerer a abertura da instrução para evitar o julgamento.
Apelo assim, a que não haja julgamentos de carácter, ou de qualquer outro tipo, na praça pública. Deixemos a justiça seguir o seu caminho. Como profissional crente, confio nas suas decisões.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A saga do cavaleiro de açúcar na Feira medieval 2011

Para que conste.
Era uma vez, numa época medieval, não tão longe assim como é costume, alguém no paço senhorial,lembrou-se de divulgar a imagem de um cavaleiro andante, belo moço, trajado a rigor para a posteridade.
Os, e ainda mais as coleccionadores, ficariam satisfeitas e encarregar-se-iam da esperada divulgação, consumindo. Um, de cada vez, naturalmente, para não causar indigestões ou algo ainda pior…
Dito e feito. Pensou, pensou e fez-se luz.
Por que não utilizar a recente descoberta de armazenamento do açúcar em pacotitos, sempre se chegaria a mais gente?
Um achado mesmo, gritou-se nos paços do Concelho, iríamos ser recordados para todo o sempre. Brilhante.
E, assim se fez. Encomendaram-se milhares do dito, paletes para alguns, e quando se preparavam para alimentar á saciedade uma população faminta de sensações fortes adocicadas, eis que aparece o cavaleiro a estragar a festança.
Tinham-se esquecido do homem. Não o convidaram para a festa. Nem se lembraram que o próprio, por constar do pacotito de açúcar, tinha que ser ouvido, e prestar o seu assentimento a quem ainda por aí manda.
È que, já nessa altura , a imagem do interveniente era sagrada e protegida.
Se deu , ou não o acordo, não sei…
O que sei é que, em vésperas da festança, a ideia esfumou-se, e os pacotitos foram retirados do circuito do prazer, com enorme desgosto dos e das coleccionadoras.
Onde param agora, por aí…
Quanto custaram, não sei …
O que aconteceu ao Cavaleiro, voltou á sua vida, seguramente frustrado por não ter ido parar ás mãos de quem aprecia o doce, pois por amarga, já basta a vida...
E, assim, vai a vida nesta pacata Cidade, com muito desperdício á mistura, em que tudo é normal e ninguém se responsabiliza por nada…
Dito isto, o Cavaleiro, tinha razão. A imagem de cada um, pertence-lhe e não pode ser tratada com tanta veleidade. Ou será que, naquelas bandas, tudo é permitido?